1026

19 Jul 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

SNS
Governo degrada serviços de saúde
AUTOR

Rui Solano de Almeida

DATA

10.03.2015

FOTOGRAFIA

Pedro da Silva

TÓPICOS
saudeSNS

Governo degrada serviços de saúde

O ataque que o Governo tem feito nestes três anos e meio na área da saúde representa um atraso civilizacional, com os cortes a atingirem o dobro do que era exigido no acordo com a troica.

 

A fuga massiva de clínicos de várias especialidades e de enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS) descreve na perfeição a imagem de marca do garrote que este Executivo imprimiu à sua política no sector da saúde.

Vir agora à pressa, depois do caos instalado nas urgências hospitalares e no desinvestimento total na área dos centros de saúde, aprovar diplomas e regimes especiais de mobilidade para atrair clínicos para o SNS, depois da lista de demissões que ocorreram ao longo dos últimos ano de vigência deste Governo em diferentes hospitais do país, não resolve o problema de fundo, limitando-se a responder a casos pontuais.

A Ordem dos Médicos tem dúvidas sobre a eficácia das medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde para resolver a falta de clínicos, e suficientes para travar o fluxo de saídas dos médicos para o estrangeiro, enquanto o PS considera “insustentável” a situação que o Governo criou nos serviços de saúde do país, acusando-o de se mostrar incapaz de adotar uma linha preventiva perante os problemas do sector.

Continuar a tentar convencer os portugueses de que tudo está normal e de que o SNS está sem problemas, não só não é rigoroso, como é desmentido todos os dias pela realidade.

Como alertou no parlamento a deputada do PS Sónia Fertuzinhos, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, não consegue prevenir os problemas e só quando eles surgem e explodem é que aparecem as medidas para os tentar resolver.

A saúde, defende ainda a vice-presidente da bancada socialista, “não é compatível nem com intranquilidade, nem com remendos, nem com respostas tardias, nem ainda com a negação da realidade. Isto gera um clima absolutamente insustentável”.

 

Cirurgias em perigo

As urgências debatem-se hoje com uma clamorosa falta de médicos e de outros profissionais. O resultado imediato são as longas horas de espera e as lamentáveis mortes de pacientes enquanto esperavam para ser observados.

A falta de anestesistas na maior parte dos hospitais do país está já a comprometer a realização de muitas cirurgias, como admitiu o próprio ministro Paulo Macedo, um dos muitos exemplos que denunciam o ambiente irrespirável em que está mergulhado o SNS dada a degradação a que o Governo tem conduzido os cuidados de saúde.

Também no sector da medicina familiar, o Governo tem exibido uma enorme ineficiência, mostrando-se incapaz de cumprir com a promessa de dar um médico a cada utente.

 

 

ADALBERTO CAMPOS FERNANDES
Gabinete de Estudos

“Este é o resultado de uma política de saúde subordinada a uma exclusiva política orçamental que resulta de uma visão minimalista do SNS e cujas consequências para os direitos de acesso dos cidadãos se afiguram cada vez mais dramáticas. Ao fim de quase quatro anos o que sobra do balanço desta política é um quadro de destruição do SNS, do seu capital humano e da sua capacidade de resposta cujas consequências começam a ficar claras aos olhos dos portugueses.”

AUTOR

Rui Solano de Almeida

DATA

10.03.2015

TÓPICOS
saudeSNS
Capa Edição Papel
 
EDIÇÃO Nº1413
Maio 2019