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17 Set 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Orçamento participativo
Alunos dispõem de 1 ME para melhorarem as suas escolas

Alunos dispõem de 1 ME para melhorarem as suas escolas

O Ministério da Educação lança, pelo segundo ano consecutivo, o Orçamento Participativo das Escolas (OPE), que permite aos alunos propor mudanças para melhorar a sua escola e votar na ideia que mais lhes agrada.

 

O anfiteatro da Escola Secundária Padre António Vieira, em Lisboa, foi o palco escolhido para reeditar esta iniciativa, que conta com uma verba de um milhão de euros.

Cerca de duas dezenas de alunos daquela escola apresentaram variados projetos, tais como melhorar a sala do aluno com uma mesa de ‘snooker’ e consolas, criar um centro de interpretação ecológica ou renovar o velhinho equipamento de rádio de forma a poder passar música.

Ter uma estação de rádio, criar um clube de teatro ou estar ligado à rede mundial que deteta sismos são outros dos sonhos reais de alunos que poderão concretizar-se com o novo OPE.

Os alunos tinham três minutos para defender as suas ideias perante uma plateia de centenas de alunos.

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, foi o mediador da sessão, durante a qual lembrou que, no ano passado, mais de meio milhão de alunos participaram no OPE que tornou realidade cerca de quatro mil ideias.

A proposta que teve mais adesão, no ano passado, lembrou, foi a instalação de rádios nas escolas, mas a que mais o sensibilizou, confidenciou, foi a criação de um sistema de sinalização visual a pensar nos alunos surdos que não conseguem ouvir o tradicional toque de início e fim das aulas.

Tiago Brandão Rodrigues referiu também que uma escola de Aveiro elegeu a proposta que defendia a criação de um parque de estacionamento coberto para as bicicletas, “porque os alunos gostam muito das suas bicicletas”, explicou.

 

Mais literacia financeira e democrática

De referir que esta iniciativa, “inédita em todo o mundo”, permite aos alunos decidir como vão gastar a verba que têm disponível, sendo que cada escola tem direito a um euro por cada um dos alunos que a frequenta.

“Este é um dos méritos do Orçamento Participativo das Escolas, contribuindo para uma participação plena dos nossos estudantes, aumentando a sua literacia financeira e envolvendo-os nos mecanismos de votação e no processo democrático”, frisou.

Segundo Tiago Brandão Rodrigues, o OPE “veio para ficar, com a confirmação por parte dos professores e dos diretores das escolas de que este é um movimento que ajuda à participação dos alunos e que aumenta a interação da escola com os seus estudantes”.

De salientar que este ano, o Ministério da Educação desafiou algumas escolas a desenvolverem o material gráfico do OPEscolas, sendo o novo logótipo, o cartaz distribuído pelas escolas e o vídeo de apresentação da edição 2018 fruto da criatividade dos alunos.

O objetivo do OPE é incentivar a capacidade de tomar decisões, compreender o funcionamento das instituições democráticas e dos sistemas de votação, apelar para o espírito crítico de cidadania e participação, bem como proporcionar momentos de debate entre estudantes do 7.º ao 12.º ano.

Lembrando a elevada abstenção dos jovens em eleições portuguesas, o ministro da Educação defendeu que o OPE poderá ser um valioso “exercício de cidadania democrática”.

E falou ainda na importância das coligações, neste caso, entre alunos, com o objetivo de conseguir avançar com uma medida que agrade ao maior número possível de pessoas.

“Por vezes temos de fazer uma coligação para poder levar a bom porto a nossa ideia”, concluiu.

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EDIÇÃO Nº1414
Agosto 2019