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13 Set 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

País reforça voz ativa na discussão do futuro da Europa
Presidência do Eurogrupo confirma credibilidade internacional de Portugal

Presidência do Eurogrupo confirma credibilidade internacional de Portugal

A eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo significa o reconhecimento, por parte dos 19 países europeus que integram a moeda única, da “credibilidade” internacional de Portugal e da “correção da linha política seguida pelo Governo”, defendeu o primeiro-ministro, em Rabat, onde se encontra para participar na Cimeira Luso-Marroquina.

 

Falando aos jornalistas num intervalo dos trabalhos da 13ª Cimeira Luso-Marroquina, encontro que começou ontem e que vai terminar nesta terça-feira, em Rabat, António Costa manifestou grande satisfação por esta eleição, realçando que a escolha do ministro das Finanças para a presidência do Eurogrupo, representa não só o reconhecimento dos países que integram a moeda única das “qualidades pessoais de Mário Centeno”, mas também da “credibilidade da linha política” seguida pelo Governo, nos domínios económicos e financeiros, depois de Portugal, como salientou, “ter passado por tantos e tantos sacrifícios”.

Uma eleição que na opinião do primeiro-ministro tem ainda mais valor porque Portugal, “depois de um período de grande pressão externa”, conseguiu virar “definitivamente a página”, deixando de ser associado a défices excessivos ou a sanções, sustentando António Costa que esta eleição de Mário Centeno ocorre num momento “particularmente importante para o futuro da União Europeia”, lembrando que se encontra em curso a “discussão sobre a evolução da zona euro”.

Uma discussão onde Portugal quer participar ativamente, realçando o primeiro-ministro que a mais-valia de o país passar a assumir, já a partir do próximo dia 13 de janeiro de 2018, a presidência do Eurogrupo, permite-lhe uma participação “mais qualificada”, designadamente sobre matérias tão importantes para o futuro da União Europeia como as de aproximar todos os Estados-membros, “sejam do leste ou do oeste, do sul ou do norte”, e as famílias políticas europeias, com o objetivo último de que a zona euro tenha finanças públicas sólidas, não deixando contudo de dar prioridade ao “crescimento, ao emprego, à coesão e à convergência económica”.

A presidência do Eurogrupo, na opinião do primeiro-ministro, vai permitir que Portugal passe a “desempenhar um papel mais ativo na discussão sobre o futuro da zona euro”, tema que António Costa considera “crucial” para acabar com a ideia e com a argumentação defendida pelos eurocéticos, como referiu, de que a União Europeia é uma entidade que “está distante de nós e que toma posições unilaterais que impõe aos países”.

 

Política orçamental

Quanto à dúvida sobre se Portugal, pelo facto de passar a liderar o Eurogrupo, terá ou não acrescidas responsabilidades em matéria de disciplina orçamental, o primeiro-ministro defendeu que esta é uma “falsa questão”, enfatizando que as regras que estão estabelecidas pelas instâncias europeias “são para ser cumpridas”, lembrando que a política orçamental levada a efeito pelo Governo português “está definida desde a primeira hora”, com resultados que são “por todos reconhecidos”, como sustentou, como “muito positivos”.

A este propósito o primeiro-ministro lembrou que “cumprir regras” significa também cooperar ativamente na reforma da zona euro para que “seja mais amiga do crescimento e do emprego”, não deixando Portugal, como lembrou António Costa, de a nível interno ter dado prioridade à “devolução dos rendimentos das famílias, à estabilidade do sistema financeiro nacional e ao investimento das empresas”.

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EDIÇÃO Nº1414
Agosto 2019