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21 Set 2018

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

António Costa lamentou que PSD tenha rompido consenso nacional
Governo defenderá sempre o país junto das instituições europeias
AUTOR

Rui Solano de Almeida

DATA

08.07.2016

FOTOGRAFIA

Jorge Ferreira

Governo defenderá sempre o país junto das instituições europeias

O primeiro-ministro acusou ontem o PSD, durante o debate do Estado da Nação, de ter assumido uma posição “mesquinha” face à questão de eventuais sanções a aplicar a Portugal pelas instituições europeias, lamentando que Passos Coelho, para “encobrir” os resultados de 2015, tenha optado por atacar a execução orçamental deste ano.

 

Lamentando a irresponsabilidade política do PSD, António Costa acusou Passos Coelho de ter cedido “à mesquinhez partidária” na questão das eventuais sanções a Portugal por parte da União Europeia, garantindo que pela sua parte “nunca terá duas caras” ou “duas palavras”, uma dentro e outra fora de Portugal, realçando a este propósito que defenderá o país junto das instituições europeias, “independentemente do passado e do Governo então em funções”.

Uma coerência que, segundo o primeiro-ministro, “infelizmente não é partilhada pelo PSD”, ao ter “rompido” o consenso nacional que tem vindo a envolver o Governo, o Presidente da República e o Parlamento, lamentando António Costa que Passos Coelho não tenha resistido, numa “atitude absolutamente lamentável”, à tentação de se subjugar à “mesquinhez partidária”.

Atacar a execução orçamental de 2016, como o tem feito a direção do PSD, para justificar as eventuais sanções das instâncias comunitárias a Portugal é, para o primeiro-ministro, estar a tentar esconder o sol com uma peneira, uma vez que o que está em causa, garantiu António Costa, como aliás fica claro na posição já assumida pela Comissão Europeia, é o défice excessivo registado em 2015, da responsabilidade da coligação PSD/CDS, e não a execução orçamental de 2016.

Congratulando-se que Bruxelas não tenha proposto qualquer tipo de consequências, apesar de ter constatado que houve défice excessivo em 2015, António Costa não teve dúvidas em classificar esta decisão da Comissão Europeia como “uma primeira vitória de Portugal”. 

A este propósito, o primeiro-ministro fez questão de sublinhar que a sua principal preocupação, em todo este processos das sanções a aplicar a Portugal, nunca foi imputar culpas ao anterior Governo, por ter apresentado em 2015 um défice das contas públicas acima dos 3%, garantindo que o importante, como frisou, era saber se era justo ou se havia ou não, “justificação para aplicar sanções a Portugal”.

 

Virar de página é boa notícia para o país

Afirmando não ter “duas caras ou duas palavras”, uma em Portugal e outra em Bruxelas, António Costa lamentou as falsas notícias constantemente lançadas para a comunicação social, garantindo que o seu Governo não “esconde problemas ao país”, afiançando que, ao contrário da anterior maioria de direita, não “assumiu em Bruxelas qualquer compromissos às escondidas e à revelia dos portugueses”.

“Nós não fugimos aos problemas. Nós agimos perante os problemas”, acrescentou ainda o primeiro-ministro, garantindo que o seu Governo, ao invés da herança que recebeu, “não deixará surpresas para ninguém”. 

Falando diretamente para o líder do PSD, António Costa disse que apesar dos grãos na engrenagem que a direção de Passos Coelho tentou pôr no processo das sanções em Bruxelas, “há boas notícias” a dar aos portugueses. Boas notícias que passam, como sublinhou, pelo que hoje é já claro para todos: que este Governo está a virar a página, “não obstante a dose de austeridade com que o anterior executivo de direita quis fustigar os portugueses”, garantindo que em 2016 Portugal sairá pela primeira vez do procedimento por défice excessivo.

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EDIÇÃO Nº1411
Maio 2018