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12 Nov 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Carlos César
Não creio que um socialista prefira um Governo de direita apoiado pelo PS a um Governo do PS apoiado à esquerda
AUTOR

J. C. C. B.

DATA

04.11.2015

FOTOGRAFIA

Jorge Ferreira

Não creio que um socialista prefira um Governo de direita apoiado pelo PS a um Governo do PS apoiado à esquerda

Carlos César disse ontem não acreditar que um socialista prefira um Governo PSD/CDS com o apoio do PS a um Governo socialista com o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda. O líder parlamentar reiterou ainda que o PS não deixará o país sem Governo e que só votará ou apresentará uma moção de rejeição ao Executivo da direita com uma “alternativa acordada e consolidada” com os partidos da esquerda.

 

Carlos César, líder da bancada do PS, falava aos jornalistas após ter estado reunido com o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Costa Neves.

Questionado pelos jornalistas sobre a anunciada criação de uma corrente para contestar um eventual acordo do PS com o PCP e Bloco de Esquerda, Carlos César afirmou: “Como socialista digo apenas: não acredito que um socialista prefira um Governo de direita com o apoio do PS a um Governo do PS com o apoio da esquerda”.

O também presidente do PS defendeu que “os partidos políticos são formações plurais, sendo mesmo autênticas coligações no seu interior”.

Portanto, acrescentou, “é legítimo e até desejável que o PS tenha opiniões divergentes sobre esse assunto, acordo de Governo com PCP e Bloco de Esquerda, como teria, de resto, se estivéssemos a fazer o percurso contrário. Se estivéssemos a consumar um acordo com o PSD e com o CDS, certamente que teríamos um conjunto de camaradas nossos que estariam reunidos, não sei se na Mealhada ou em outro local, a reclamar contra um acordo dessa natureza, pedindo antes um acordo com o PCP e com o Bloco de Esquerda”.

Questionado sobre o risco de o PS ficar manietado pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda, Carlos César argumentou que “o lado inverso dessa reflexão diria que o PS ficaria manietado pela direita, refém de um contínuo apelo ao ‘sim’ em todas as circunstâncias em nome de um interesse nacional que fosse invocado”.

Carlos César reiterou que o PS não deixará o país sem Governo e que decidirá de acordo com a sua melhor interpretação do interesse nacional, que passa por uma mudança de políticas, pondo termo a uma austeridade excessiva, garantindo estabilidade, uma trajetória orçamental compatível com os nossos compromissos europeus e o respeito pelos nossos compromissos internacionais”.

O líder parlamentar do PS salientou ainda que um acordo com PCP e Bloco de Esquerda tem de ficar “aclarado” até a discussão do programa de Governo PSD/CDS e só com uma alternativa consolidada votará ou apresentará moção de rejeição.

“Enquanto não existir um acordo firmado com o PCP e Bloco de Esquerda, não vale a pena valorar o estado das negociações como estando a 90 ou a 40%”, disse, acrescentando que os socialistas não votarão nem apresentarão nenhuma moção de rejeição “se não tivermos em simultâneo a garantia de que temos uma alternativa acordada e consolidada com os restantes partidos políticos”.

AUTOR

J. C. C. B.

DATA

04.11.2015

Capa Edição Papel
 
EDIÇÃO Nº1414
Agosto 2019