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17 Set 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Cultura
Poemas Reunidos de Luís Castro Mendes
AUTOR

Partido Socialista

DATA

16.03.2018

FOTOGRAFIA

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Poemas Reunidos de Luís Castro Mendes

O Grémio Literário, em Lisboa, foi o palco escolhido para a apresentação pública da obra Poemas Reunidos, de Luís Filipe Castro Mendes, atual ministro da Cultura, na passada terça-feira.

 

No ano em que se comemoram 35 anos da carreira literária de Luís Filipe Castro Mendes, a Assírio & Alvim publicou a 22 de fevereiro Poemas Reunidos, a sua poesia completa, revisitada agora pelo autor. À cerimónia pública de apresentação da obra, que contou com casa cheia, assistiram Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, Edite Estrela, presidente da Comissão Parlamentar de Cultura, Juventude e Desporto, o escritor Manuel Alegre, entre muitos outros convidados e amigos.

A apresentação da obra, com mais de 800 páginas, foi conduzida por António Guerreiro e por Nuno Júdice, autor do prefácio desta edição. Coube a Jorge Silva Melo ler alguns poemas de Castro Mendes, entre eles Música, Regresso, À tarde, em casa.

Enquadrada numa estética pós-modernista, a sua obra revela um universo enigmático onde o fingimento e a sinecridade, o romantico e o clássico, a regra e o jogo conduzem às realizações mais lapidares e expressivas.

 

 

Castro Mendes referiu-se à figura do “poeta-diplomata”, agora com o ónus acrescido de ministro, recuperando um texto de 2014, intitulado “um estranho animal de duas cabeças: o poeta-diplomata”. “O diplomata é apenas o profissional que coexiste com o poeta – como todos nós coexistimos com os vários e diversos ‘eus’ de que somos feitos”, afirmou.

No prefácio, referindo-se ao momento da afirmação literária do poeta na década de 80, Nuno Júdice, que ontem nos contou uma história de amizade e de resistência através da palavra, escreve: “Ele surge como um dos que prescrevem o que se pode chamar regresso a uma expressão mais pura do lirismo, de que a elegia é um dos modelos, remetendo quer para as Elegias de Rilke quer para um imaginário associado a uma vivência do mundo que é marcada pela dupla experiência do amor e da morte, reunindo esses contrários num conflito essencial que faz explodir dramaticamente o poema.”

 

Música

Talvez não escrever nem dizer fosse bastante

para preencher esta distância, esta música

subtil do esquecimento; talvez entre anoitecer

e acontecer o laço nascesse

e na sua só ausência nos durasse

e merecesse.

 

AUTOR

Partido Socialista

DATA

16.03.2018

Capa Edição Papel
 
EDIÇÃO Nº1414
Agosto 2019