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14 Jun 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Porfírio Silva
“Queremos que se melhore o trabalho de análise da educação em Portugal”
AUTOR

Carla Alves

DATA

07.02.2018

FOTOGRAFIA

jorge ferreira

“Queremos que se melhore o trabalho de análise da educação em Portugal”

“Os rankings são ocasião para um confronto de ideologias, mas isso não nos incomoda, porque é assim a democracia. Não defendemos que se deixem de divulgar os dados que originam os rankings, o que queremos é que se melhore o trabalho de análise da educação em Portugal”, defendeu hoje o deputado socialista Porfírio Silva numa declaração política sobre educação, a propósito do debate suscitado em torno da última edição do chamado ‘ranking das escolas’.

 

Lamentando que haja quem use os rankings como “propaganda, ou como arma de arremesso, por exemplo das escolas privadas contra a escola pública”, caindo na “‘armadilha’ de ignorar a diferença entre dados, informação e conhecimento”, Porfírio Silva entende que só é possível chegar ao conhecimento “se formos capazes de mobilizar dados e informação para compreender, para construir respostas a desafios bem identificados, para tomar decisões relevantes”.

É nesse sentido que “ao longo dos anos muito trabalho tem sido feito para melhorar os métodos de análise e para evitar simplificações perigosas em torno dos rankings”, sublinhou o deputado, apontando o exemplo do indicador “Percursos Diretos de Sucesso”, construído com base em informação disponibilizada pelo Ministério da Educação desde há dois anos, como um “indicador robusto porque combina avaliação interna e externa, que leva em conta o nível dos alunos que cada escola recebe à entrada do ciclo, indicador que não premeia a retenção”.

“E importa sublinhar isto, porque o Ministério da Educação não se limita a recusar um ranking cego de exames; o Ministério da Educação trabalha para acrescentar inteligência a este exercício público, para que os rankings não reforcem práticas pedagógicas erradas e, isso sim, promovam a missão educativa global das escolas”, defendeu o coordenador dos deputados socialistas na Comissão de Educação e Ciência.

 

Não aceitamos que rankings que sejam instrumento de facilitismo

Nessa direção, Porfírio Silva apontou o exemplo de um “ranking de sucesso”, elaborado por um site de notícias com base nos dados do Ministério da Educação e inspirado nos Percursos Diretos de Sucesso, que, ao permitir uma leitura interativa da lista, revela a existência de um “número importante de escolas muito bem colocadas no ranking dos exames e cujo retrato é muito menos favorável no ranking do sucesso”.

“Escolher olhar preferencialmente para os exames é desvalorizar a maior fatia da avaliação, que é a avaliação interna, e também é olhar exclusivamente para a dimensão cognitiva, desvalorizando as dimensões de valores e atitudes”, defendeu o deputado, considerando que “as métricas não são neutras” e rejeitando que estas “menorizem as escolas que remam contra as desigualdades injustas”.

“Não queremos métricas míopes”, defendeu, justificando: “Porque não aceitamos que os rankings sejam um instrumento de facilitismo, nem um olhar curto e imediatista sobre matérias tão sérias”.

Para Porfírio Silva, o que é preciso é “saber porque é que a escola pública ainda não consegue vencer as desvantagens socioeconómicas e culturais de partida”; “porque é que tantos alunos não concluem o Secundário na idade de referência”, ou o que diferencia “as escolas que têm sucesso a enfrentar contextos adversos e a dar o melhor do mundo aos seus alunos” daquelas que não o conseguem.

“Dar informação pública sobre as aprendizagens? Sim, mas respeitando o trabalho que é feito pelos alunos como pessoas, não apenas como examinandos; respeitando o que se faz em todas as dimensões da aprendizagem e não apenas nas disciplinas com exame”, rematou o deputado.

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EDIÇÃO Nº1413
Maio 2019