1034

31 Jul 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Edite Estrela

Opinião

AUTOR

Simões Ilharco

DATA

06.12.2017

TÓPICOS

ELEIÇÃO DE CENTENO, UMA HONRA PARA O PAÍS

A eleição de Mário Centeno para Presidente do Eurogrupo, ocorrida na segunda-feira, foi uma grande honra e distinção para o nosso país. Custa a aceitar que o Presidente da República, o primeiro português, tenha desvalorizado essa eleição, parecendo fazer campanha contra ela. Quando os portugueses se congratularam e honraram pela escolha de um compatriota para o cargo de elevado prestígio internacional, Marcelo mostrou-se muito pouco entusiasmado. 

 

Também grave, e muito depreciativo para quem a produziu, foi a afirmação incrível de Marques Mendes, feita há meses, de que a primeira noticia da candidatura de Mário Centeno não passava de uma mentira do 1 de abril! Com estes políticos e comentadores não vamos longe. Razões redobradas para confiar no PS e no acordo de esquerda. 

O Presidente fez uma série de afirmações sobre Centeno e o Eurogrupo, antes da eleição, que comprovam claramente o que afirmo. Não estou a inventar rigorosamente nada. Vejamos: o cargo de ministro das Finanças é mais importante do que o de líder do Eurogrupo; nunca se canta vitória antes do jogo acabar; pode haver, quem sabe, uma dispersão de votos; é fundamental que o país não perca o rumo em matéria financeira. Tudo isto disse Marcelo. Mesmo depois da eleição de Mário Centeno, não conseguiu disfarçar a sua falta de entusiasmo, ao dizer que é um sinal positivo e importante para o país. Ó senhor Presidente, é muito mais do que um sinal! É a consagração plena da política do Governo PS. A Europa rendeu-se a Portugal. Talvez por nada ter a ver com essa política, por não poder reivindicar os louros, reaja assim tao frouxamente. Mas deve-se sempre reconhecer o mérito de quem o tem.

O primeiro-ministro, que tem a preocupação de não afrontar o Presidente, porque a guerrilha institucional é altamente nociva ao país, respondeu com tato e diplomacia, quando Marcelo afirmou que o cargo de ministro das Finanças é mais importante: Mário Centeno sabe bem as responsabilidades que tem, e quem é ministro sabe que a primeira missão são as funções ministeriais, disse Costa. Sobre as reticências da esquerda, o primeiro-ministro afirmou, também com elegância, que a relação com o BE e PCP não elimina a identidade de cada partido. A eleição de Centeno para o Eurogrupo, digo eu, agora, não deve causar problemas na 'geringonça' nem os receios do Presidente de que as nossas Finanças sejam descuradas me parecem justificados. Andando cá e lá, penso que é possivel encontrar o equilíbrio entre o desafiador das regras e o que as faz cumprir. Além do mais, Centeno já disse que ia ser crítico. 

Tendo sido o candidato oficial dos socialistas europeus, reunidos em Lisboa, o nosso ministro das Finanças, eleito Presidente do Eurogrupo à segunda volta, foi apelidado de 'Ronaldo da Ecofin' por Schauble, no que terá sido o tiro de partida para a sua eleição, que representa o fortalecimento da Zona Euro e uma maior união dos Estados-membros da Europa. Queremos a moeda única em todos os países europeus. O vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermens, considera que fazemos escola na Europa. O Presidente dos socialistas europeus também foi pródigo em elogios ao nosso país. E Tsipras, numa homenagem ao PS, diz que o modelo da Grécia, quando sair do memorando, será a política do atual Governo português. Creio, contudo, que não há razoes para deslumbramentos. Trabalho e humildade devem continuar a ser a nossa receita. Foi assim que se fizeram os grandes países. 

AUTOR

Simões Ilharco

DATA

06.12.2017

TÓPICOS
Capa Edição Papel
 
EDIÇÃO Nº1414
Agosto 2019