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19 Jun 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

António Costa
Reforma da moeda deve fazer do euro um fator de união na Europa
AUTOR

Mary Rodrigues

DATA

04.12.2017

FOTOGRAFIA

jorge ferreira

Reforma da moeda deve fazer do euro um fator de união na Europa

Para que a moeda única não seja apenas única mas sim efetivamente comum e um fator de união, é essencial fazer a reforma da União Económica e Monetária, defendeu o primeiro-ministro perante os delegados presentes no encerramento do Conselho do Partido Socialista Europeu (PES), no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa.

 

“Temos a obrigação de aproveitar a janela de oportunidade que hoje temos e evitar uma nova crise e, para isso, a reforma da União Económica e Monetária é absolutamente essencial”, afirmou António Costa, para quem é preciso garantir que a moeda única “sirva as diferentes economias da zona euro, seja um fator de união e não um fator de divisão”.

Segundo o líder dos socialistas portugueses, a “convergência não é apenas transferências de um lado para o outro”, precisando de “garantir que toda a União Europeia (UE) e, em particular, a zona euro tenham a estabilidade necessária para desenvolver a economia com menos riscos e de uma forma mais partilhada e justa para todos”.

É que, alertou, “se houver mais estabilidade no sul da Europa haverá certamente maior riqueza para o norte da Europa”.

Por isso, continuou, “não podemos continuar a ter uma moeda do norte e uma moeda do sul, uma moeda do leste e uma moeda a oeste, temos de ter uma moeda comum a toda a União Europeia”, enfatizou, advogando uma Europa com “mais socialistas”.

 

Reforçar os socialistas na Europa

Depois, António Costa exortou o Conselho do PES a reforçar a “confiança na capacidade da família socialista” visando as eleições nos respetivos países.

A este propósito, o Secretário-geral desejou que o “PS da Catalunha tenha uma grande vitória nas regionais do dia 21 de dezembro” e também que os socialistas de Chipre, Itália, Hungria e Suécia reforcem as suas posições.

“Queremos vitórias dos socialistas nesses países [Catalunha, Chipre, Itália, Hungria e Suécia] porque é isso que temos de fazer, reforçar os socialistas na Europa”, disse, perante os aplausos dos delegados, saudando de seguida o “enorme sucesso” da UE por ter sido capaz de “partilhar um conjunto de valores comuns, traduzido no que é fundamental, o primado do Estado de Direito” e “cada um ter a liberdade de seguir o seu caminho, com regras comuns”.

Quanto às ameaças externas, indicou que o combate ao terrorismo e aos populismos, as alterações climáticas, a economia digital e a ameaça dos robots ao futuro do trabalho dos cidadãos colocam angústias compreensíveis, mas, sustentou: “A resposta não pode ser travar a inovação nem fechar a Europa” sobre si própria.

Destacando alguns aspetos da resolução aprovada no Conselho, António Costa vincou ser preciso avançar com um “plano de ação” centrado nos jovens, na educação, na proteção social e no emprego, ter “uma boa política fiscal”, travar o `dumping´ fiscal entre países, e “ganhar a batalha” da taxação das grandes multinacionais norte-americanas da área do digital na UE.

 

Convergência é a resposta inteligente

Na área da segurança comum, outro dos pontos discutidos no Conselho, o primeiro-ministro deu ênfase à necessidade de “apoiar o trabalho” da alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, “no desenvolvimento da áfrica subsaariana, de reforçar a cooperação com os países do Magrebe e do Sahel”.

Isto porque, explicou, é com essa cooperação que se criam condições para eliminar a guerra e a falta de liberdade e para proporcionar desenvolvimento.

Só assim, defendeu, poderá haver condições para regular os fluxos migratórios e não continuar a alimentar as redes de criminalidade organizada do tráfico humano.

Ainda em matéria de Defesa, António Costa considerou que a cooperação estruturada comum permitirá aos cidadãos sentirem-se mais seguros, apontando a convergência como “a chave para a união na Europa” e a “resposta inteligente” aos problemas que afligem atualmente os cidadãos europeus.

 

Centeno no Eurogrupo

Durante a sua intervenção, António Costa agradeceu ainda o “claro apoio da família socialista” a Mário Centeno, frisando que o atual ministro das Finanças português é “parte essencial na mudança de política” realizada no país.

O líder socialista declarou que a estratégia seguida pelo Governo que lidera é a prova de que “é possível virar a página da austeridade” com as mesmas regras a nível europeu e fazer uma política diferente “com mais crescimento económico e igualdade”.

“E dois anos depois dizemos com orgulho que fizemos diferente”, referiu, concluindo que este ano o défice será mais baixo do que no ano anterior e que em 2018 será ainda mais baixo.

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EDIÇÃO Nº1413
Maio 2019