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31 Jul 2019

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Parlamento
PS lamenta “ânsia de aproveitamento político” da oposição sobre os incêndios
AUTOR

Catarina Correia

DATA

30.11.2017

FOTOGRAFIA

jorge ferreira

PS lamenta “ânsia de aproveitamento político” da oposição sobre os incêndios

O deputado do PS José Miguel Medeiros teceu hoje duras críticas ao PSD por apresentar “propostas extemporâneas” sobre os fogos florestais. “Fica claro que o PSD, com as propostas a metro que nos apresenta hoje, apenas tem pretendido fazer jogadas mediáticas de circunstância com um objetivo estritamente político-partidário, procurando alimentar a polémica e aproveitar-se do dramatismo da situação dos territórios atingidos”, acusou.

José Miguel Medeiros criticou, durante a discussão, no Parlamento, de projetos de lei de vários partidos sobre os incêndios florestais, a contradição do PSD por propor um conjunto de medidas que o Executivo já está a concretizar, uma vez que correspondem a recomendações da comissão técnica independente sobre os incêndios deste verão. O deputado lembrou que a nova estratégia nacional de Proteção Civil pressupunha o reforço do papel das Forças Armadas na prevenção e combate aos incêndios, tendo o PS questionado na altura o posicionamento do PSD, que entendeu “pôr-se à margem das conclusões da comissão técnica independente, questionando o trabalho de uma comissão que havia proposto”.

Hoje, o PSD demonstra que “quer ir além das recomendações da comissão, propondo, entre outras medidas, alterações ao papel das Forças Armadas no sistema de Proteção Civil”, sublinhou o parlamentar. “O que podemos dizer é que o PSD chega tarde e a más horas a este processo”, sintetizou.

José Miguel Medeiros deixou uma pergunta ao PSD: “Onde esteve durante o debate orçamental que ocupou esta câmara nas últimas semanas e no qual foram inscritos montantes significativos para a concretização de muitas destas medidas e propostas?”. Questionou, ainda, se afinal os sociais-democratas consideram “que o relatório da comissão técnica independente deve merecer o respeito da Assembleia da República, que o solicitou e legitimou, e do próprio Governo, que o adotou como base das reformas em curso”, ou se, pelo contrário, entendem que “o relatório e o consequente trabalho do Governo devem ser ignorados e desprezados”.

Para o PS, “este é o tempo da ação e da resposta”, asseverou o deputado socialista, acrescentando que é “o tempo de indemnizar as vítimas, de recuperar e reconstruir os territórios devastados e promover as reformas necessárias para que situações destas não se repitam”.

“Por isso, a bancada do PS só pode congratular-se e saudar o Governo por ter estado desde a primeira hora no terreno, tomando medidas e concedendo apoios concretos às populações afetadas, cumprindo a sua obrigação, enquanto a oposição se entretém com propostas extemporâneas ou a tentar culpar o Governo pelo que faz ou pelo que diz que ele não faz, numa competição desenfreada para ver quem chega primeiro aos telejornais”, atacou.

 

João Castro aponta “careca a descoberto” do PSD e CDS

Já o deputado João Castro lamentou, no encerramento do debate, que o PSD e o CDS tenham deixado a “careca a descoberto”. “Criticam agora a concretização do que deixaram por fazer”, afirmou o coordenador socialista na comissão de Agricultura e Mar.

“Esta Assembleia aprovou recentemente e por unanimidade, no âmbito do Orçamento do Estado para 2018, um conjunto de propostas centradas em quatro eixos essenciais: a reconstrução das zonas afetadas pelos incêndios, o reforço da prevenção e dos meios de combate aos incêndios e a capacitação institucional”, lembrou o parlamentar, defendendo que “não faz sentido atropelar o processo em curso”.

“A reflexão dramática que fomos forçados a fazer e que teve inclusivamente o apoio de uma comissão técnica independente, proposta pelo PSD e aprovada por unanimidade na Assembleia da República, impõe que as ações sejam norteadas pela reflexão ponderada e isenta na preparação de um futuro, ordenado e sustentável”, afirmou o socialista, assegurando que muitas das propostas, hoje em discussão, “perderam a sua oportunidade” face às medidas já em execução e ao OE aprovado há dois dias.

Apesar de reconhecer que “algumas propostas devem ser aprofundadas na especialidade”, João Castro recordou que a reforma da floresta, várias vezes adiada, foi assumida como prioridade do Governo aquando da tomada de posse. “Não obstante já ser uma prioridade definida, os acontecimentos extremados, anómalos e atípicos, ocorridos este ano, obrigatoriamente recentraram as prioridades da floresta e dos incêndios florestais”, revelou o deputado.

“A devastação do interior do país, de zonas já de si vítimas de dificuldades, reflexo do adiamento de uma atuação necessária, por sucessivos governos, de políticas estruturadas em prol do reordenamento e gestão da floresta; a perda de bens, de capacidade produtiva e de postos de trabalho são motivos que não queremos, e não podemos, deixar ficar sem resposta”, assumiu, revelando que as populações necessitam e esperam dos poderes públicos uma intervenção responsável, construtiva e estruturante, em prol da recuperação, tendo por base um novo caminho para a Gestão da Floresta.

“É um facto que são décadas de problemáticas não resolvidas e de soluções adiadas e outras interrompidas”, admitiu, atestando, porém, que “ao atual Governo compete corrigir este percurso, aprender com os erros, construir um novo caminho e percorrê-lo em prol da floresta portuguesa, pelo interior e pelo mundo rural, com as pessoas, a bem de Portugal”.

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EDIÇÃO Nº1414
Agosto 2019