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31 Jul 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Edite Estrela

Opinião

AUTOR

Simões Ilharco

DATA

06.09.2017

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FALAR DE MAIS

As eleições autárquicas de 1 de outubro próximo vão catapultar o PS para uma vitória clara nas legislativas de 2019 e devem provocar a mudança de líder no PSD. António Costa, quando acenou ao PSD para o consenso estratégico sobre as obras públicas, estaria, provavelmente, a pensar mais em Rui Rio, forte candidato à liderança, do que em Passos Coelho.

 

Para o PS, e em termos eleitorais, seria mais vantajoso a continuação deste último à frente dos ditos sociais-democratas. Mas para o país, que deve estar sempre primeiro, haveria vantagem em que Rui Rio ascendesse à liderança do PSD. A possibilidade de consensos era muito maior- Passos já disse não a Costa - e a década da convergência bem os reclama. A hostilidade entre o PS e o PSD é indesejável para a democracia, o que não significa que se deva pôr em causa, nem ao de leve, sequer, o acordo de esquerda. Bem pelo contrário. Os ganhos políticos e sociais são tão evidentes que a atual solução política deverá ser o mais duradoura possível.

As autárquicas não terão grandes surpresas. O PS vai ganhá-las, presumo que folgadamente. Os socialistas gozam de boa saúde - a mais recente sondagem da Aximage dá 43 por cento ao PS, em legislativas, e 22,9 ao PSD. O Presidente Marcelo já disse que estas eleições locais não deverão interromper a governação socialista. O líder do PS definiu os objetivos: ganhar o maior número de Câmaras, mantendo a presidência da Associação de Municípios Portugueses e ganhar o maior número de juntas de freguesia, mantendo a presidência da Associação Nacional de Freguesias. O PSD, com a derrota à vista, dá sinais de grande desnorte. Santana Lopes criticou a prestação de Teresa Leal Coelho em debate televisivo e as más escolhas de Passos são cada vez mais faladas. Perdendo as autárquicas, por margem significativa, o atual líder do PSD não se vai aguentar no congresso de março, que pode ser antecipado para janeiro. Os sinos tocam a rebate no PSD. Como que a ouvi-los, Cavaco e Rangel saíram da toca.   

O ex-Presidente não tem autoridade para falar. Se Marcelo é o 80, como já escrevi, Cavaco era o 8! Admitindo que Marcelo fala de mais, Cavaco falava de menos. O seu estilo demasiado severo, impróprio de um Presidente, não o autoriza a fazer críticas aos seus sucessores ou antecessores. Soares, Sampaio e Eanes foram bons Presidentes, que dignificaram a função presidencial. O mesmo se diga de Marcelo, o agora visado por Cavaco. Também tem sido um bom Presidente, agindo, e bem, em função do que considera melhor para Portugal. Cavaco foi o pior de todos. Paulo Rangel, o outro 'barão', em má hora reaparecido na rentrée, só disse falsidades. Para ele, o caos nos incêndios foi devido a cortes brutais na saúde, educação e proteção civil, pois a política de Estado do Governo é ultraliberal! Se fosse verdade, o que dizer da política de Passos? Fascista? Nazi? Vendeu o país ao desbarato e o PS é ultraliberal! Esta afirmação de Rangel foi, sem dúvida, o disparate do ano. 

 

AUTOR

Simões Ilharco

DATA

06.09.2017

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EDIÇÃO Nº1414
Agosto 2019