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18 Jul 2018

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Edite Estrela

Opinião

AUTOR

Simões Ilharco

DATA

01.03.2017

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O INDESEJÁVEL REGRESSO DE CAVACO

O regresso de Cavaco Silva à cena politica é totalmente indesejável. Não creio que haja alguém que o deseje. Livro de memórias, entrevistas e outras tomadas de posição parecem indiciar o propósito de se perpetuar no universo político. Mas os julgamentos da História e do povo nao lhe serão favoráveis. Bem pelo contrário!

 

Cavaco foi o pior Presidente do Portugal democrático, sem sombra de dúvida, e como primeiro-ministro ficou muito aquém de Guterres, atualmente o mais ilustre português. Mário Soares, num debate televisivo sobre as presidenciais, definiu-o bem: você nao passa de um economista mediano! Ele e Salazar foram, quanto a mim, e já o disse, as duas grandes desgracas deste país. Meio século de ditadura e vinte anos de cavaquismo deixaram-nos pobres e atrasados. Estamos, agora, a procurar vencer o fatalismo do atraso, dando passos certos e seguros no sentido de um país melhor.

Os dois mandatos de Cavaco Silva como Presidente da República foram desastrosos e atentatórios do que deve corresponder a uma função presidencial que se preze, marcada pela imparcialidade e isenção. Marcelo Rebelo de Sousa tem demonstrado, até agora, que esta postura é não só desejável, como possível num Presidente. A aversão de Cavaco ao Governo do PS, presidido por José Sócrates, e o discurso de má memória de afrontamento do acordo de esquerda foram dois exemplos flagrantes, entre outros, da sua ação permanente contra as forças democráticas e progressistas do país. Fez um discurso no 25 de Abril que foi uma autêntica moção de censura ao Governo do PS, ferindo-o de morte. Como primeiro-ministro passava a vida a criticar as forças de bloqueio, mas quando vestiu a pele de Presidente foi, ele mesmo, uma força de bloqueio ao Governo de Sócrates. Que bela coerência, professor Cavaco Silva! E ele que gosta tanto de criticar os políticos. Pela boca morre o peixe!

A dificuldade que teve em digerir o acordo de esquerda, com o qual se enganou, pois augurou-lhe uma curtíssima duração, provou à saciedade que, além de ser um político de vistas curtas, as suas convicções democráticas são também muito fracas, se não mesmo nulas. A cobertura que deu a Passos Coelho, consentindo-lhe tudo e mais alguma coisa, passe a expressão, incluindo o roubo nos salários e pensões, foi a confirmação plena da parcialidade e do sectarismo da sua magistratura como Presidente. Não se admire, assim, que o considerem o pior do Portugal de Abril. Em seu desabono, registe-se, também, o facto de ter desvirtuado o ideário social-democrata do PSD. Foi com a sua liderança que aquele partido iniciou uma longa, e quiçá interminável, caminhada para a direita, como Passos faz supor, afastando-se da pureza dos seus ideais. É por isso que dizem, com alguma razão, que Sá Carneiro se deve estar a remexer no túmulo. 

AUTOR

Simões Ilharco

DATA

01.03.2017

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EDIÇÃO Nº1411
Maio 2018