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25 Jun 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Edite Estrela

Opinião

AUTOR

Simões Ilharco

DATA

14.12.2016

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PASSOS VENDEU PORTUGAL AO DESBARATO

O ministro-adjunto, Eduardo Cabrita, disse, recentemente, em entrevista ao jornal i, que se não tivesse havido um PREC de direita, no mandato de Passos Coelho, a atual solução política não seria tão óbvia. As privatizações foram, sem dúvida, e em minha opinião, uma das páginas mais negras desse PREC de direita, de que fala o ministro. Passos vendeu Portugal ao desbarato, alienando grande parte do seu património.

 

 Se se tornasse necessário demonstrar que Passos Coelho não é social-democrata, embora me pareça tão evidente que dispense qualquer demonstração, a prova seria excelente. Se fosse social-democrata, teria em conta que os sectores-chave da economia devem estar nas mãos do Estado. Com as privatizações não foi só o património que se perdeu. A nossa independência também foi afetada, porque o país ficou mais dependente do capital estrangeiro, ou então, se preferirem, das multinacionais - é apenas uma questão de terminologia.

Mas quem paga a maior fatura das privatizações é, inegavelmente, o povo português, porque as empresas, agora estrangeiras, praticam preços bastante elevados, nalguns casos mesmo exorbitantes. É uma das razões pelas quais as multinacionais nunca fecham - as empresas portuguesas, essas, sim. Passos foi amigo do grande capital estrangeiro, não do povo português. Por isso, a sua popularidade é inferior à do deputado do PAN.

 Os portugueses passaram a pagar preços incomportáveis por serviços de que dificilmente podem prescindir. Senão vejamos: tenho familiares em França e nesta quadra natalícia, de há uns anos a esta parte, costumo enviar-lhes um bolo rei. Pago, agora, mais pelos serviços de envio dos CTT do que pelo presente de Natal! Inaceitável. Por outro lado, a ME0, desde que foi privatizada, também já me aumentou o preço do serviço de televisão. Outro caso flagrante é o da ANA, aeroportos de Portugal. Segundo me disseram, esta empresa subiu sete vezes o valor das suas taxas, a partir do momento em que foi vendida! 

Em boa hora, a privatização da Carris e Metro foi travada, conseguindo-se, também, o equilíbrio na TAP. A fúria privatizadora de Passos Coelho era de tal ordem que até se dizia, em tom irónico, que nem a Torre de Belém ia escapar. Se a venda da Carris e Metro não tivesse sido impedida, ninguém tenha dúvidas de que aumentavam logo - no que seria, provavelmente, o primeiro ato da nova gestão - o preço das viagens e do passe. Mais uma vez, o povo português é que pagava a fatura da privatização, com a agravante de ser nos transportes, um serviço que lhe é imprescindível. Outros aspetos houve, no mandato de Passos, tão ou ainda mais gravosos do que as privatizações, que justificam a designação de PREC de direita. Refiro-me, por exemplo, ao roubo nos salários e pensões. E ao corte dos feriados. O que me espanta é que, depois de tanto mal, tenha ficado impune! 

AUTOR

Simões Ilharco

DATA

14.12.2016

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EDIÇÃO Nº1413
Maio 2019