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19 Jul 2019

| diretora: Edite Estrela

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Edite Estrela

Opinião

AUTOR

Hugo Vaz

DATA

03.10.2016

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Tiques de Adamastor

O Adamastor, aquele que representa as forças da natureza contra Vasco da Gama sob a forma de uma tempestade, ameaçava a ruína daquele que tentasse dobrar o cabo da Boa Esperança e penetrasse no Oceano Índico, os alegados domínios de Adamastor. Assim se apresenta Pedro Passos Coelho aos portugueses.

Tal como Vasco da Gama, António Costa segue em frente, defendendo o interesse nacional, sem medo do “diabo” nem das catástrofes anunciadas. 

E enquanto quem profetiza desgraças para Portugal não apresenta uma única medida para resolver os problemas dos portugueses, o governo do PS cumpre o que prometeu, capta investimento e cria emprego.

 Comecemos pela região Norte de Portugal que criou 17 mil novos empregos no segundo trimestre de 2016, no mesmo dia em que soubemos que uma empresa americana do setor alimentar irá investir 60 milhões de euros em Santa Maria da Feira. 

E não digamos que é só no litoral, porque no dia 23 de setembro foram apresentadas 150 novas medidas que o governo irá implementar para dinamizar o interior.

E, no centro, a poucos quilómetros da Feira, em Aveiro, a Renault vai investir 150 milhões de euros e a possibilidade de integração de mais 150 trabalhadores.

O novo Adamastor não deve ter gostado que a Associação de Combate à precariedade elogie os novos limites à renovação dos contratos. Parece um pequeno passo, mas é um passo firme em direção a uma sociedade mais decente.

Assim como não gostou com certeza do anúncio de uma maior justiça fiscal nas deduções com despesas de educação. O modelo, que será inscrito no Orçamento de Estado para 2017, cria mais justiça fiscal e corrige as situações de desigualdade e regressividade decorrentes da reforma do IRS promovida pelo governo anterior.

"Pena" foi os impostos terem baixado 350 milhões em 2016 e o assalto fiscal imobiliário, aquele acima dos 500.000 euros, corresponder a apenas 44000 agregados, se preferirmos em percentagem, corresponde a apenas 1% da população, esquecendo-se certamente que apenas dois anos antes defendia exatamente a mesma medida.

Indo ao pormenor da coisa, este assalto fiscal de que falam o PSD e CDS torna-se ainda mais surreal:

  • em 2015, com a justificação da “tributação verde”, aumentaram brutalmente o imposto sobre os combustíveis; em 2016, passaram a escandalizar-se com qualquer subida, ainda que de 1 cêntimo, no custo da gasolina ou do gasóleo.
  • acabaram com a cláusula de salvaguarda que impedia aumentos bruscos do IMI, e agora bradam aos céus contra qualquer mexida neste imposto, ainda que essa mexida seja norteada por um elementar imperativo de justiça fiscal.

Engraçado, parece que afinal Portugal está bastante atrasado no "ódio ideológico à acumulação de riqueza". Bem à nossa frente temos as Repúblicas Populares Soviéticas da Espanha e Irlanda, e, destacados em primeiro lugar, os marxistas anticapitalistas do Reino Unido.

Os mercados estão extremamente nervosos e a ondulação para os lados do oceano que o Adamastor sonha é gigantesca, uma vez que Portugal conseguiu financia-se ao valor mais baixo de sempre, a juros negativos, ou seja, os investidores vão pagar a Portugal para terem dívida nossa.

Verdade, verdadinha e factual é que a austeridade do governo de direita retirou 13% dos rendimentos aos mais ricos e aos mais pobres retirou-lhes 25%. As famílias e as empresas estão a pagar menos impostos do que com o anterior Governo. E como diz o povo, O resto são cantigas.

E tal como Vasco da Gama, António Costa vai conseguir ultrapassar qualquer cabo das tormentas e derrotar o Adamastor.

AUTOR

Hugo Vaz

DATA

03.10.2016

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EDIÇÃO Nº1413
Maio 2019